Portal Espaço Notícias
ÚLTIMAS29 de outubro de 2026
Aposta do Mato Grosso leva prêmio de mais de R$ 324 milhões da MegaBrasileirão: Palmeiras fica no zero com o Santos e Flamengo agradeceMorre Irene Santos, fotógrafa e pesquisadora da memória negraMães da Penha cobram justiça por mortes na Operação ContençãoRio Uruguai está em elevação e atinge cota de alerta em UruguaianaSantos: Polícia apreende dois menores suspeitos da morte de engenheiroRogério Marinho diz que não há provas de fraude eleitoralPrêmio TV Brasil Petrobras Para Elas: as melhores atacantes do paísPresidente do TSE diz que eleições ocorreram dentro da normalidadeGoverno estuda restringir crédito a empresas por assédio eleitoralAfiliada da TV Brasil estreia retransmissora em Ceres-GOMEC Idiomas inclui curso gratuito de coreano, com aulas e exercíciosIbovespa cai 2,68%, e dólar fecha em leve baixa a R$ 5,34União libera R$ 950 milhões para instalar Comitê do IBSCorinthians é o 1º classificado à final da Libertadores FemininaTrump diz que não vai se envolver sobre declaração de Flávio BolsonaroBrasil bate Polônia nos pênaltis e avança no Mundial Sub-17 FemininoEm carta, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fugir do BrasilAfastamentos por vício em jogos cresceram 5 vezes em três anosSuper-ricos geram mais poluição e lucram com desastres climáticosAposta do Mato Grosso leva prêmio de mais de R$ 324 milhões da MegaBrasileirão: Palmeiras fica no zero com o Santos e Flamengo agradeceMorre Irene Santos, fotógrafa e pesquisadora da memória negraMães da Penha cobram justiça por mortes na Operação ContençãoRio Uruguai está em elevação e atinge cota de alerta em UruguaianaSantos: Polícia apreende dois menores suspeitos da morte de engenheiroRogério Marinho diz que não há provas de fraude eleitoralPrêmio TV Brasil Petrobras Para Elas: as melhores atacantes do paísPresidente do TSE diz que eleições ocorreram dentro da normalidadeGoverno estuda restringir crédito a empresas por assédio eleitoralAfiliada da TV Brasil estreia retransmissora em Ceres-GOMEC Idiomas inclui curso gratuito de coreano, com aulas e exercíciosIbovespa cai 2,68%, e dólar fecha em leve baixa a R$ 5,34União libera R$ 950 milhões para instalar Comitê do IBSCorinthians é o 1º classificado à final da Libertadores FemininaTrump diz que não vai se envolver sobre declaração de Flávio BolsonaroBrasil bate Polônia nos pênaltis e avança no Mundial Sub-17 FemininoEm carta, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fugir do BrasilAfastamentos por vício em jogos cresceram 5 vezes em três anosSuper-ricos geram mais poluição e lucram com desastres climáticos
Economia

Apelo turístico da Pequena África precisa de maior reconhecimento

Quem viaja ao Rio de Janeiro normalmente visita o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e a orla da zona sul. Mas há um lugar cada vez mais presente nesse roteiro por transpirar história e ser reduto de manifestações da cultura afro-brasileira: a Pequena África. À beira da Baía de Guanabara, a região abriga o Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas e Patrimônio Mundial da Humanidade declarado pela Organização das Nações Unidas para a Ciência e Cultura (UNE

Fonte: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil02 de junho de 2026 às 11:306 visualizações
Compartilhar:WhatsAppFacebookX
Apelo turístico da Pequena África precisa de maior reconhecimento
Foto: Agência Brasil
Quem viaja ao Rio de Janeiro normalmente visita o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e a orla da zona sul. Mas há um lugar cada vez mais presente nesse roteiro por transpirar história e ser reduto de manifestações da cultura afro-brasileira: a Pequena África.

À beira da Baía de Guanabara, a região abriga o Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas e Patrimônio Mundial da Humanidade declarado pela Organização das Nações Unidas para a Ciência e Cultura (UNESCO) desde 2017.

Apesar da importância histórica do Valongo para a compreensão da diáspora africana e a formação do Brasil, a Pequena África ainda não tem o reconhecimento turístico merecido, como atração de peso internacional, avaliam especialistas reunidos na Feira Preta Festival. O evento foi encerrado no último domingo (31), no Piér Mauá, depois de três dias de debates, shows, feira e anúncio de projetos.

Um dos fundadores da plataforma Diáspora Black, o jornalista e gestor Antonio Pita acredita que, pelos atrativos, a Pequena África deveria estar entre as grandes atrações internacionais da cidade. 

"Uma boa parte das pessoas tem no imaginário o Rio [de Janeiro] de praias, de festas, mas ainda não vinculou o turismo com o aspecto tradicional", avaliou.

Rio de Janeiro (RJ), 31/05/2026 – Antonio Pita, fundador da Diaspora.Black, na Feira Preta Festival, encontro de cultura e empreendedorismo negro, no Píer Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Antonio Pita, fundador da Diaspora.Black, na Feira Preta Festival, encontro de cultura e empreendedorismo negro, no Píer Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A região abriga também o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), que guarda vestígios do desembarque de escravizados, assim como o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos e a Pedra do Sal, integrantes do Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana.

A região também é o endereço do Grupo Afoxé Filhos de Gandhi, um dos blocos afro de carnaval mais antigos do Rio. Todos os anos, em 2 de fevereiro, o grupo oferece o tradicional presente de Iemanjá, além de desfilar no carnaval, como o bloco de Salvador, do qual se originou.

Rio de Janeiro (RJ), 02/02/2026 – O grupo Afoxé Filhos de Gandhi desfila no dia de Iemanjá pelas ruas da zona portuária do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O grupo Afoxé Filhos de Gandhi desfila no dia de Iemanjá pelas ruas da zona portuária do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Pelo apelo cultural e gastronômico, Pita comemora que a região já é um dos territórios mais visitados da cidade do Rio. Apesar disso, ele pondera que os visitantes não saem com a experiência completa.

"As pessoas vêm para a Pedra do Sal, para o Largo da Prainha (que reúne restaurantes e bares), para museus [Museu de Arte do Rio e Museu do Amanhã], e, muitas vezes, deixam de conhecer o Cais do Valongo. Saem sem compreender o berço que é a Pequena África para a ocupação da cidade, para o samba e para o carnaval. Tudo começou aqui", frisa.

Diretora executiva do espaço de economia colaborativa Preta Hub, Adriana Barbosa destaca a importância do local, escolhido neste ano como sede da Feira Preta.

"Estamos aqui, em um lugar que já foi um mercado de pessoas africanas escravizadas, em outra lógica econômica, em que pessoas negras não são mais mercadorias, mas proponentes de relações comerciais a partir de nossa identidade e criatividade".

Nesta edição, participaram cerca de 130 empreendedores, e o espaço foi frequentado por 10 mil pessoas.

Rio de Janeiro (RJ), 31/05/2026 – Feira Preta Festival, encontro de cultura e empreendedorismo negro, no Píer Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Feira Preta Festival, encontro de cultura e empreendedorismo negro, no Píer Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Investimento em divulgação

Para a afro-turismóloga Emily Borges, fundadora da Etnias Turismo e Cultura, que debateu a questão no Festival, é preciso incluir a Pequena África nos guias de turismo e nos roteiros de grandes agências, além de investir em divulgação em pontos estratégicos, como os aeroportos da cidade. Segundo Borges, o turismo é uma experiência de memória e conexão.

"Em um mundo cada vez mais acelerado, talvez o verdadeiro luxo das viagens esteja na profundidade das experiências vividas", afirma.

De acordo com Pita, os operadores de turismo e hotéis também precisam colocar o roteiro nas prateleiras.

"A gente tem o produto, temos bons operadores, guias, todos com conhecimento, mas ainda há um certo racismo em destacar este destino", avaliou.

Como o exemplo da Rocinha revela, pontua Pita, há um grande potencial em destinos genuínos. Ele lembra o sucesso nas redes sociais de um vídeo de drone na favela da zona sul da cidade. Ali, nas lajes, turistas fazem filas de até duas horas e pagam R$ 150 por um vídeo com vista aérea da comunidade.

Rio de Janeiro (RJ), 31/05/2026 – Feira Preta Festival, encontro de cultura e empreendedorismo negro, no Píer Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Feira Preta Festival, encontro de cultura e empreendedorismo negro, no Píer Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar dos atrativos e da riqueza histórica da Pequena África, especialistas e moradores são unânimes em cobrar apoio e políticas do poder público para o território.

Entre eles, investimentos em sinalização e conservação, como coleta de lixo e segurança pública. "É preciso pensar o território como um todo, se está bom para o morador, está bom para o turista também", ponderou o gestor do Diáspora Black. 

O Ministério do Turismo, segundo os especialistas, têm apoiado a transformação da Pequena África em um roteiro internacional. Em uma ação recente, em 2025, recebeu o encontro de afroturismo global o Black Travel Summit. "É um movimento que está começando, trazendo visbilidade", avaliou Pita.

Para apoiar organizações da Pequena África a continuarem a oferecer experiências que valorizam a herança africana, o Diáspora Black e a  Feira Preta vão repassar treinamento e recursos por meio do edital Rede Memória Viva. Outro objetivo do edital é mapear roteiros afro com potencial de desenvolvimento comunitário no país.

Rio de Janeiro (RJ) 11/01/2024 – Espaço cultural Casa da Tia Ciata. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Espaço cultural Casa da Tia Ciata, na Pequena África. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Mais em Economia