Cuiabá: festival de cinema levanta discussões sobre migração e clima
Em um momento no qual as mudanças climáticas e os deslocamentos humanos se tornam temas centrais para o futuro do planeta, o Festival de Cinema de Cuiabá - Cinemato chega à 23ª edição reafirmando a força do audiovisual produzido fora dos grandes centros e consolidando Mato Grosso como palco de discussões urgentes para a sociedade contemporânea. Entre os dias 29 de junho e 5 de julho Cuiabá receberá uma programação que reúne 67 filmes de 17 estados brasileiros, além de oficinas, debates, seminári

Entre os dias 29 de junho e 5 de julho Cuiabá receberá uma programação que reúne 67 filmes de 17 estados brasileiros, além de oficinas, debates, seminários e encontros com realizadores. O tema desta edição, Migração – Mobilidade Humana e Mudanças Climáticas, propõe uma reflexão sobre os impactos ambientais que já transformam territórios, culturas e modos de vida em diferentes regiões do mundo.
Competição
A Mostra Competitiva de Longas reunirá sete produções que disputarão o tradicional Troféu Coxiponé, principal premiação do festival. A seleção contempla diferentes linguagens e regiões do país, reforçando a diversidade temática e estética do cinema brasileiro contemporâneo.
Já a competição de curtas-metragens contará com 15 obras, enquanto a Mostra Documenta Brasil apresentará filmes dedicados à memória, à cultura e à história do país.
Mais do que uma vitrine para o cinema nacional, o Cinemato se consolida como espaço de pensamento crítico, diversidade cultural e defesa dos direitos humanos.
Vocação para o debate
Para o diretor e idealizador do festival, Luiz Carlos Borges, o evento mantém sua vocação de conectar Mato Grosso aos grandes debates globais.
“O Festival de Cinema de Cuiabá, mais uma vez, cumpre seu papel de ser o maior evento cultural de Mato Grosso com repercussão nacional. Trazer para Mato Grosso e para o Brasil o tema das migrações, da mobilidade humana e das emergências climáticas é contribuir para a vida neste planeta cada vez mais ameaçado pela apropriação predatória da natureza”, afirma.
Borges destaca que o alcance do festival ultrapassa fronteiras. Somente na edição passada, o site oficial registrou mais de 300 mil acessos, enquanto as exibições online alcançaram mais de 10 mil espectadores internacionais.
“O Cinemato é um manifesto à vida, à paz e à liberdade. Os filmes selecionados refletem sobre fronteiras, deslocamentos e pertencimentos, mostrando como a arte pode ampliar nossa compreensão sobre os desafios do presente”, ressalta.
Entre os nomes mais aguardados desta edição está a atriz e diretora paraense Dira Paes, uma das artistas mais respeitadas do audiovisual brasileiro e presença cada vez mais simbólica na trajetória recente do festival.
Pelo segundo ano consecutivo, Dira participará da entrega do prêmio que leva seu nome, criado para reconhecer mulheres mato-grossenses que se destacam no audiovisual e em iniciativas voltadas à defesa dos direitos das mulheres e à preservação ambiental.
A homenagem reforça a identificação da atriz com causas socioambientais e com a valorização da diversidade cultural brasileira, bandeiras que também orientam a programação do festival.
Com uma carreira que atravessa cinema, televisão e plataformas de streaming, Dira Paes tornou-se uma referência para novas gerações de artistas e realizadores. Sua participação no CINEMATO amplia a visibilidade de um evento que há mais de duas décadas aposta na descentralização da produção audiovisual brasileira.
Além de Dira, o festival receberá convidados como Bella Campos, Vanessa Gerbelli, Jorge Bodanzky, Régis Faria, Betse de Paula e Renato Barbieri, que participarão de sessões comentadas, debates e atividades de formação.
Homenagem
A edição de 2026 também prestará homenagem ao diretor, ator e dramaturgo Amauri Tangará, reconhecido pela contribuição à cultura mato-grossense e pelo trabalho voltado à valorização das identidades populares.
Para Luiz Carlos Borges, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória comprometida com a formação cultural do estado: “Homenagear Amauri Tangará é reconhecer a cidadania mato-grossense desse migrante que escreveu sua história no estado por meio do teatro e do audiovisual. Através de seus filmes, ele militou de forma inconteste em defesa da vida e compartilhou generosamente seus conhecimentos, ajudando a formar novas gerações de realizadores”, destaca.
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