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Cultura

É possível fazer rir e incomodar, diz atriz do projeto Humor Negro

Sorrindo, a comediante baiana Magali Moraes, de 41 anos, sobe ao palco. “Estava com uma preguiça de fazer esse show… (silêncio)... Espero que isso tenha sido o suficiente para saciar o fetiche de vocês.” Ela gargalha para a plateia que lotou o teatro do Museu Nacional da República, em Brasília, um dos espaços do Festival Latinidades na capital nesta semana. Com ironias não somente à xenofobia e ao racismo que liga o povo baiano à preguiça, Magali toca, com sorriso permanente, em outros tantos pr

Fonte: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil04 de julho de 2026 às 15:094 visualizações
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É possível fazer rir e incomodar, diz atriz do projeto Humor Negro
Foto: Agência Brasil
Sorrindo, a comediante baiana Magali Moraes, de 41 anos, sobe ao palco. “Estava com uma preguiça de fazer esse show… (silêncio)... Espero que isso tenha sido o suficiente para saciar o fetiche de vocês.” Ela gargalha para a plateia que lotou o teatro do Museu Nacional da República, em Brasília, um dos espaços do Festival Latinidades na capital nesta semana.

Com ironias não somente à xenofobia e ao racismo que liga o povo baiano à preguiça, Magali toca, com sorriso permanente, em outros tantos preconceitos, como machismo e homofobia. Mas vai além. A atriz integra o projeto Humor Negro, um espetáculo de comédia stand up, com humoristas pretos, que começou em 2019 nos palcos de Salvador e que chegou também à TV (Multishow) em forma de série.

Magali Moraes, em entrevista à Agência Brasil, defende que o humor é uma arte que deve incomodar. “Mas a intenção de fazer rir tem que ser sempre o objetivo principal. Mas é possível fazer rir fazendo transformação social”, afirma. Promover o sorriso e também reflexões.

Brasília (DF), 04/07/2026 – Personagem Magali Moraes -É possível fazer rir e incomodar, diz atriz do “Humor Negro” .
Foto: Deborah Victooria/Divulgação
Magali Moraes defende que o humor é uma arte que deve incomodar - Foto: Deborah Victooria/Divulgação

Racismo

Ela explica que a lógica dessa comédia é sorrir das próprias vivências e lutas. “Obviamente, as vivências dessas pessoas são atravessadas pelo racismo, mesmo não sendo a pauta principal”, destaca.

Para ela, a ótica do humor torna as violações do dia a dia mais compreensíveis. “Tem uma nova geração de humoristas negros que entendem que a gente não precisa rir do outro. Temos a ideia de fazer rir a partir das nossas próprias mazelas e fazendo as pessoas pensarem.”

A atriz avalia que as mulheres se identificam mais em um ambiente de humor do que aquele masculino e branco. “Eu amo falar sobre a realidade do feminino. Eu sou uma mulher homossexual. A gente faz rir, inclusive do preconceito que está carregado, implicado na vida dessas mulheres.”

Proposta

A ideia do espetáculo Humor Negro nasceu da produtora baiana Val Benvindo, de 36 anos. “Pensei que poderia haver um espetáculo em que as pessoas pretas não fossem alvo ou centro da piada, mas participando e rindo junto”. Inclusive, o título do espetáculo ironiza a expressão racista “humor negro”.

“Eu cresci ouvindo as pessoas falando que o humor negro era um humor ruim. E pra mim o humor negro é um humor feito por gente preta. Pode ser algo que inclusive ajude a fomentar a nossa cultura”, explica.

Ela recorda que as primeiras apresentações em 2019 ocorreram no tradicional teatro Jorge Amado. Com a pandemia, a comédia foi selecionada para o Multishow e Globoplay. O especial foi gravado, no Teatro Vila Velha, em Salvador, outro espaço emblemático para a cultura brasileira. “A gente transforma as nossas dores em histórias”, afirma a criadora do projeto.

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