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Cultura

Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história do samba

A Rua João de Barros, que fica no bairro da Barra Funda, em São Paulo, foi rebatizada, em 28 de julho como Rua do Samba. Com apenas uma quadra, o local é endereço de rodas de samba desde a década de 1980, quando Carlos Alberto Tobias organizava eventos na rua. <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/KJLEeEp5uf9ntejrMI8M3oKCVSI=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/30/_i

Fonte: Sarah Quines - Repórter da Rádio Nacional01 de agosto de 2026 às 19:4511 visualizações
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Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história do samba
Foto: Agência Brasil
 A Rua João de Barros, que fica no bairro da Barra Funda, em São Paulo, foi rebatizada, em 28 de julho como Rua do Samba. Com apenas uma quadra, o local é endereço de rodas de samba desde a década de 1980, quando Carlos Alberto Tobias organizava eventos na rua.

São Paulo (SP)-31/07/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Rua do Samba resgata memória na Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil - Paulo Pinto/Agência Brasil

O nome na placa representa mais do que o reconhecimento do gênero musical. É também um resgate de memória da população negra no bairro da Barra Funda, como é o caso da família da cantora e compositora Simone Tobias, filha de Carlos Alberto e neta de seu Inocêncio, que reorganizou um antigo grupo carnavalesco em 1953. Depois o grupo se tornou a Escola Camisa Verde e Branco.

“Em 1914, seu Dionísio Barbosa, que era tio da minha avó paterna, funda o grupo carnavalesco Barra Funda. Em 53, meu vô começa esse movimento para chamar algumas pessoas para fazer parte de um novo cordão e usa as cores primárias do Grupo da Barra Funda para homenagear seu Dionísio", conta Simone.

Segundo Simone, seu avô usava o apelido "camisas verdes", mas inseria o branco para que "não fosse mais confundido com os integralistas".

Os ensaios aconteciam em frente à casa da família Tobias, um porão em um antigo cortiço que não existe mais. Simone diz que o senso de comunidade e pertencimento foi afetado pela especulação imobiliária ainda no final da década de 70, empurrando os moradores para longe. 

São Paulo (SP)-31/07/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

“Mesmo para a minha família, que na década de 80 foi morar na periferia da zona norte, ficava inviável entender como é essa loucura, né? Essa higienização, novamente feita para que a negritude fosse colocada nas periferias da cidade”.

Em busca da valorização da memória negra do samba no bairro, antes que a gentrificação apague sua história, surgiu o projeto Cartografias de Bambas, coordenado por Nathália Oliveira. Ela ressalta que o movimento diz mais sobre o pertencimento a um território do que apenas à musicalidade. 

“O samba entendido apenas como um som é esvaziar totalmente de sentido a construção dessa história. Quando a gente reconhece um bairro que está cada vez mais embranquecendo, é ir apagando o legado, né?", questiona Nathália.

Para Nathália, o reconhecimento da Rua do Samba "é um momento em que a gente também tem que provocar uma discussão na cidade sobre como as pessoas negras permanecem no seu lugar de memória construída pelos seus antepassados".

Uma das iniciativas que contribuem para a permanência e memória da comunidade negra é o Festival Cartografias de Bambas, que reúne mensalmente sambistas e coletivos culturais na Rua do Samba. Esse tipo de evento, para Nathália, reconecta as pessoas com o território:

“E o que a gente vem percebendo é que cada vez mais chegam pessoas negras de lugares diferentes da cidade, de várias idades. Então, tem muita gente mais velha que já veio aqui e fala que quer voltar a frequentar os nossos eventos".

Ela conta que o festival já ocorre mensalmente há oito meses. "A gente vai vendo como o público cada vez mais vai enegrecendo."

Antes da Rua do Samba, um outro ponto já reconhecia a Barra Funda como berço do samba paulistano: o Largo da Banana. Ali, estivadores negros se reuniam no final do século 19 para cantar e tocar o que daria origem ao samba na cidade. No local, foi construído um viaduto na década de 1950, e do lugar de memória restou apenas uma placa.

No manifesto Rua do Samba da Barra Funda, o projeto Cartografias de Bambas reforça que memória também é política pública. E que a Rua do Samba siga como “patrimônio vivo, chão de memória e encruzilhada de futuros”.

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