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Direitos Humanos

Entenda o que é blackwashing e como o “antirracismo de aparência” atua

Explicar o que é blackwashing e como empresas utilizam esse conceito para impulsionar a própria marca e lucrar com vendas. Essa é a proposta de um estudo elaborado por pesquisadores da organização não governamental (ONG) ACT Promoção da Saúde. O título da produção lança uma reflexão “as corporações são, de fato, engajadas na pauta racial?” O levantamento de 133 páginas, lançado no fim de junho, está disponível na página da ONG e traz lista práticas de comunicação e marketing utilizadas por empre

Fonte: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil14 de julho de 2026 às 17:154 visualizações
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Entenda o que é blackwashing e como o “antirracismo de aparência” atua
Foto: Agência Brasil

Explicar o que é blackwashing e como empresas utilizam esse conceito para impulsionar a própria marca e lucrar com vendas. Essa é a proposta de um estudo elaborado por pesquisadores da organização não governamental (ONG) ACT Promoção da Saúde.

O título da produção lança uma reflexão “as corporações são, de fato, engajadas na pauta racial?”

O levantamento de 133 páginas, lançado no fim de junho, está disponível na página da ONG e traz lista práticas de comunicação e marketing utilizadas por empresas que se “vestem” de aparência antirracista.

O que é blackwashing

Em tradução livre, blackwashing seria algo como lavagem racial, no sentido de maquiar, levando a ideia de maquiagem de diversidade racial. É um termo análogo aos greenwashing e pinkwashing. O primeiro seria uma maquiagem verde ou ambiental; o segundo, maquiagem da pauta LGBTQIA+.

Os autores do estudo definem o conceito blackwashing como “tática corporativa que instrumentaliza a causa antirracista para disfarçar a busca implacável por lucro”.

Essa prática recebe a crítica de se tratar de uma demonstração de engajamento de pautas de justiça racial, mas que “não enfrentam a questão das iniquidades raciais” de maneira estrutural.

Os pesquisadores mapearam sete variedades de blackwashing:

-  Divulgação seletiva: comunicação corporativa enfatiza apenas as áreas nas quais estão buscando uma melhora na performance sobre as questões raciais e não divulga áreas nas quais eles não melhoraram ou até pioraram. Essa estratégia pode ser vista como um “antirracismo de aparência.

-  Políticas e reivindicações vazias: implementação de políticas vendidas como uma transformação radical nas relações raciais, quando na verdade há pouco poder para a implementação ou as políticas têm baixo potencial de mudança no status quo.

-  Certificações duvidosas: utilização de certificações conferidas por terceiros para promover um produto e/ou uma empresa como benéfico para pessoas negras.

-  Apoio e parceria com ONGs cooptadas: associação com organizações que atuam na pauta racial para conferir credibilidade aos esforços corporativos na busca pela equidade racial.

-  Programas voluntários sem eficiência: criação e comprometimento com programas e códigos voluntários para promover a equidade racial nos locais de trabalho, com mecanismos de aplicação fracos.

-  Narrativas e discursos enganosos: campanhas de marketing com a finalidade de posicionar a corporação como referência antirracista, independentemente do seu histórico nesta área.

-  Marcas enganosas: uso de logos, influenciadores e vozes estratégicas para implicar que a marca é antirracista.

-  Acessar e influenciar a formulação de políticas: acesso e influência em espaços de tomada de decisão sobre políticas de equidade racial, saúde e direitos da população negra.

Sem representatividade no topo

Ao apontar que algumas empresas têm representatividade racial como fachada, o estudo traz dados de um levantamento do Instituto Ethos com as 1,1 mil maiores empresas do país.

A publicação destaca baixa representatividade de pessoas negras, sobretudo mulheres, em posições de liderança.

Enquanto 55,5% da população se identifica como preta ou parda, esse grupo, compõem menos de 6% dos conselhos das empresas e menos de 14% dos cargos executivos e de diretoria.

O relatório afirma ainda que muitas organizações divulgam iniciativas de diversidade, mas não apresentam informações transparentes sobre a composição racial de seus quadros de liderança.

Os autores do estudo apontam que o blackwashing “não é um desvio de percurso, mas uma peça de engrenagem que mantém a desigualdade racial funcional à acumulação”.

Para os pesquisadores, enfrentar a prática exige mais que denúncias pontuais ou apelos éticos.

“Requer a construção de respostas capazes de incidir sobre a arquitetura que o torna possível”, afirmam.

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