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Meio Ambiente

Lula inaugura obra na Serra das Araras que incorpora ações ambientais

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugura nesta terça-feira (23), a primeira etapa das obras da Nova Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), altura do município de Paracambi, no Rio de Janeiro. Além de ampliar a segurança e a capacidade viária, o empreendimento incorpora ações de sustentabilidade ambiental e social. Um dos exemplos de práticas sustentáveis, no âmbito da engenharia pesada, é a instalação de uma central de britagem dentro do próprio canteiro de

Fonte: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil22 de junho de 2026 às 20:297 visualizações
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Lula inaugura obra na Serra das Araras que incorpora ações ambientais
Foto: Agência Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugura nesta terça-feira (23), a primeira etapa das obras da Nova Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), altura do município de Paracambi, no Rio de Janeiro. Além de ampliar a segurança e a capacidade viária, o empreendimento incorpora ações de sustentabilidade ambiental e social.

Um dos exemplos de práticas sustentáveis, no âmbito da engenharia pesada, é a instalação de uma central de britagem dentro do próprio canteiro de obras. A estrutura permite o reaproveitamento dos fragmentos de rochas gerados nas escavações e detonações para a produção de materiais utilizados na construção da própria rodovia, evitando a geração de resíduos e a necessidade de extração de matéria-prima em outras áreas

“Fazemos a detonação, transportamos esse material, ele fica segregado e [depois] vai para o britador. Temos um sistema de britagem completo, é como se fosse uma pedreira mesmo, em menor escala, mas daqui conseguimos produzir todo tipo de material”, explicou o engenheiro civil Thiago Pinho Batista, gerente de Engenharia de Obras da Motiva Rodovias.

Segundo Thiago, a central de britagem gera um reaproveitamento circular de um material nobre - a rocha -, com vantagens em duas frentes principais. 

“Primeiro, se eu não reaproveitasse esse material, eu teria que dispor dele numa área de DME [Depósito de Material Excedente], ou seja, jogar fora”, observou.

“Além disso, se eu não produzisse os insumos para incorporar na obra, eu teria que comprar, o que significaria uma área degradada em outro ambiente para a exploração comercial desse material, além de um custo a mais. Então é um ganho enorme econômico, social e ambiental para o projeto”, completou Thiago.

Novo PAC

As obras da Nova Serra das Araras integram o Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Com investimento de R$1,5 bilhão do governo federal e executado pela Motiva, o projeto prevê oito faixas de rolamento, quatro em cada sentido, acostamentos, 24 novos viadutos, duas rampas de escape e três passarelas.

Com a obra, que já alcançou 70% de execução, a previsão é que o tráfego tenha maior fluidez em uma região que recebe cerca de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% são de carga. 

A velocidade será de 80 km/h, que deve permitir também a redução de 25% do tempo no percurso da subida - sentido São Paulo - e 50% na descida - sentido Rio de Janeiro.

Com a entrega da primeira etapa da obra, serão liberados quatro quilômetros da pista de subida iluminada, no sentido São Paulo, com oito viadutos, quatro faixas de rolamento com acostamento e 14 estruturas de contenção, o que visa à ampliação da segurança dos motoristas que trafegam pela rodovia. 

Preservação

A obra conta ainda com medidas de preservação da biodiversidade, como o resgate de fauna e flora. Equipes especializadas monitoram a presença de animais e ninhos na área de intervenção da obra, inclusive de melissofauna - abelhas. O objetivo é verificar suas condições físicas para um possível auxílio no afugentamento para evitar acidentes.

“O programa de resgate de fauna é o que a gente faz diariamente, então todas as frentes de obra, canteiros, frente de supressão, sempre vai ter uma equipe observando se tem algum animal no entorno, se tem algum animal machucado que precise ser removido ou atendido”, explicou Fernanda Ferreira Galdeno Stein, especialista de Meio Ambiente da Motiva Rodovias.

Quando algum animal ferido é encontrado, ele é atendido por um veterinário em campo ou levado a uma clínica especializada. Desde o início da obra, foram afugentados cerca de 400 animais e realizados nove atendimentos veterinários. Depois de tratados e recuperados, os animais são levados até a vegetação do entorno, onde são soltos.

“Ninhos, por exemplo, se tem alguma árvore que a equipe identifica um ninho, aquela árvore não pode ser derrubada. Então é feito o cercamento, identificam aquela árvore e esperam. Dependendo da situação, ou espera até que o ninho seja abandonado ou a equipe tenta fazer a relocação. Eles pegam o ninho e colocam em outra árvore”, disse Fernanda.

Umas das ações relacionadas à proteção da flora é o resgate de germoplasma, que corresponde à coleta prévia de epífitas - que vivem sobre outras plantas -, plântulas - recém-germinadas - e sementes, antes das atividades de retirada da vegetação na área de intervenção da obra. O objetivo é minimizar a perda de variabilidade genética nessas áreas, além de garantir sua conservação para uso em reposição florestal e recuperação de áreas degradadas.

Desde abril de 2024, data de início das obras na Serra das Araras, foram identificadas mais de 40 espécies vegetais, com mais de 500 exemplares resgatados, 1.800 sementes coletadas e 700 mudas produzidas no viveiro instalado no canteiro central, sendo que 100 mudas já foram doadas ao município de Piraí.

Foram encontradas ainda algumas espécies alvo nativas da Mata Atlântica, ou seja, aquelas que têm algum grau de ameaça e são prioritárias nos resgates, como Euterpe edulis (juçara), Dalbergia nigra (jacarandá-da-bahia) e Apuleia leiocarpa (garapa).

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