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Moradores sentiram cheiro de gás 3 horas antes da explosão no Jaguaré

Moradores da Comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, relataram ter sentido forte cheiro de gás em suas casas cerca de três horas antes da explosão que matou um homem de 49 anos e levou à interdição de 46 casas, nesta segunda-feira (11). “O cheiro de gás começou por volta de 12h-13h, um cheiro forte de gás. Tive que usar máscara, eu e minha irmã. Eu fiquei com medo, fui lá no fogão olhar se era eu que tinha deixado algum fogo ligado, mas não era”,

Fonte: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil12 de maio de 2026 às 20:587 visualizações
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Moradores sentiram cheiro de gás 3 horas antes da explosão no Jaguaré
Foto: Agência Brasil
Moradores da Comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, relataram ter sentido forte cheiro de gás em suas casas cerca de três horas antes da explosão que matou um homem de 49 anos e levou à interdição de 46 casas, nesta segunda-feira (11).

“O cheiro de gás começou por volta de 12h-13h, um cheiro forte de gás. Tive que usar máscara, eu e minha irmã. Eu fiquei com medo, fui lá no fogão olhar se era eu que tinha deixado algum fogo ligado, mas não era”, conta Lúcia Monteiro.

Moradora da comunidade há mais de 40 anos, a casa dela fica na rua de trás do local da explosão.

A moradora relata que, ao sentir o cheiro, foi até a rua e encontrou a equipe da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que realizava obras no local e questionou o que tinha acontecido. Segundo ela, o funcionário disse que "a gente estava mexendo e estourou a tubulação de gás" e que a distribuidora Comgás, responsável pelo abastecimento, já tinha sido alertada. 

Líder comunitária da região, Ana Cristina Ferreira Gomes afirma que diversos moradores sentiram forte cheiro de gás horas antes da explosão e chegaram a avisar equipes da obra da Sabesp.

“Os moradores sentiram cheiro de gás, reclamaram, e o pessoal falou 'só não acende um fósforo'. O meu vizinho passou mal com cheiro de gás, foi para o pronto-socorro e, quando ele voltou, tinha explodido.”

A explosão aconteceu por volta das 16h, na rua Piraúba. Uma equipe da Comgás havia chegado no local por volta das 15h30. Naquele dia, a Sabesp fazia uma obra na rua. Segundo Ana Cristina, que tem dado apoio e ajuda às famílias desabrigadas, as obras no local já ocorriam há dias.

Além da morte de Alex Sandro Fernandes Nunes, outras três pessoas ficaram feridas e seguem internadas. Um dos feridos é funcionário da Sabesp. Após o incidente, Sabesp e Comgás disseram que atuavam “em conjunto” na obra, anunciaram auxílio emergencial de R$ 2 mil às famílias afetadas, que depois teve o valor atualizado e será de R$ 5 mil. Segundo informações da Defesa Civil, há 194 famílias cadastradas para receber a ajuda financeira.

A casa de Elizabeth Melo, vizinha ao imóvel que foi o centro da explosão, foi bastante impactada.

“Minha casa é a de cima, derrubou tudo. Ela está do lado de onde aconteceu a maior tragédia. Minha casa caiu tudo, foi abaixo”, disse à Agência Brasil.

No imóvel vivem ela, o marido, três filhos e uma neta, além de um cachorro e um gato.

“Eu estava trabalhando [na hora da explosão], não tinha ninguém em casa, graças a Deus. Só meus dois bichos. O cachorro conseguiram resgatar, mas não achamos o gato”, relata.

Ela conseguiu entrar na casa ontem para pegar alguns pertences, mesmo com  dificuldade de acessar o local por conta dos escombros.

“Pegamos muito rápido algumas coisas, como roupas. Mas estamos a Deus dará, não conseguimos pegar todas as coisas necessárias para o dia a dia. Não tem nem como entrar porque as paredes estão todas comprometidas, as telhas fora do lugar. Quando eu entrei, tive que tirar as telhas [da frente] para poder passar. Está horrível, está uma cena de terror” relata.

Defesa Civil

O tenente Maxwel, porta-voz da Defesa Civil, disse em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (12) que os trabalhos de avaliação e perícia serão realizados ao longo do dia. Segundo ele, o esforço está dividido em duas frentes. A primeira focada na perícia, para subsidiar a investigação e o inquérito policial em âmbito criminal. A segunda, para realizar a avaliação estrutural dos imóveis afetados.

“O grande questionamento dessas famílias agora é: quando eu posso voltar para minha casa? Eu posso voltar para minha casa? Eu vou ser indenizado ou não, ressarcido ou não? Todo esse trabalho, ele precisa primeiro passar por uma avaliação dos danos e uma avaliação em relação aos imóveis”, acrescentou o tenente.

Segundo ele, depois da classificação de riscos de cada imóvel, os moradores seriam liberados para retirar pertences.

“Muitas pessoas pegaram alguma coisa, objeto escolar, um remédio. Hoje nós liberamos algumas emergenciais pontuais. E aí, após essa avaliação, nós iremos liberar todas as demais que ainda precisam entrar para pegar alguma coisa nas suas casas”, disse.

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

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