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Cultura

Orquestra de jovens instrumentistas do Rio se apresentará na Itália

Jovens instrumentistas de idades entre 13 e 21 anos, estudantes de escolas da rede pública do Rio de Janeiro, começam nesta sexta-feira (24) uma turnê na Itália, com a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, que foi criada em 2021 com a intenção de ampliar a representatividade de meninas neste tipo de música. Para simbolizar “uma herança de luta, liberdade e protagonismo feminino” não à toa é a primeira maestra do Brasil, Chiquinha Gonzaga, quem dá nome à Orquestra com formação exclusivam

Fonte: Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil23 de abril de 2026 às 12:105 visualizações
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Orquestra de jovens instrumentistas do Rio se apresentará na Itália
Foto: Agência Brasil
Jovens instrumentistas de idades entre 13 e 21 anos, estudantes de escolas da rede pública do Rio de Janeiro, começam nesta sexta-feira (24) uma turnê na Itália, com a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, que foi criada em 2021 com a intenção de ampliar a representatividade de meninas neste tipo de música.

Para simbolizar “uma herança de luta, liberdade e protagonismo feminino” não à toa é a primeira maestra do Brasil, Chiquinha Gonzaga, quem dá nome à Orquestra com formação exclusivamente feminina, composta por 52 instrumentistas.

“Ao trazer o nome dela, a gente conecta as meninas a essa inspiração de coragem e realização. É como se disséssemos, todos os dias: vocês também podem transformar a história”.

A orquestra vai completar cinco anos em 2026. O mesmo tempo em que a flautista Nathaly Joyce, de 21 anos e moradora de Tomás Coelho, zona norte da capital, está nesse projeto, onde ingressou ao ser aprovada em uma audição.

A jovem disse que quando está no momento da apresentação passa quase um filme na sua cabeça. “Desde de quando a gente tinha dificuldade em uma música e por conta de estudos e motivação, não só de professores e maestros, mas da própria orquestra, a gente ali se apoiando. É lindo ver o companheirismo e a aliança através da música”, disse à Agência Brasil.

Nathaly se sente “sortuda e privilegiada” em ter uma família que a apoia 100% no que faz e atualmente leva a música como profissão. Não faltam planos para a carreira.

“Estou me formando em faculdade de música e penso futuramente continuar na área musical e em outras áreas como regência e fazer mestrado e doutorado”.

Programação

Em sua estreia na Itália, o grupo tem agenda extensa entre os dias 23 e 1º de maio, incluindo uma audiência com o papa Leão XIV, no dia 29, na Praça São Pedro, no Vaticano, e ainda programação em outros espaços culturais de Roma. A turnê Conexão Vaticano faz parte das comemorações do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.

A agenda das Chiquinhas, como são chamadas, prevê atividades de intercâmbios acadêmicos com importantes instituições de música da Europa, como a Sapienza Università di Roma e a Accademia de Santa Cecilia.

Tem ainda apresentações no Cinema Troisi, na Sapienza Università di Roma e na Embaixada do Brasil em Roma para o encerramento da mostra audiovisual de cinema brasileiro, que também integra o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.

Clarysse acrescentou que recebe muito apoio da família na sua carreira. “Graças a Deus estão sempre comigo e muito felizes com as minhas conquistas tanto na Chiquinha como na música em si. Sou muito grata a eles”, comentou.

Lista

Rio de Janeiro (RJ), 23/04/2026 – Orquestra Sinfônia Juvenil Chiquinha Gonzaga.
Foto: João Dultra/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ), 23/04/2026 – Orquestra Sinfônia Juvenil Chiquinha Gonzaga. Regência é de Priscila Bomfim. Foto: João Dultra/Divulgação - João Dultra/Divulgação

O repertório do concerto traz homenagens a compositores de destaque da música brasileira, entre eles, Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Baden Powell, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque. A cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil, fará uma participação especial nos concertos.

O programa ainda prevê a obra inédita da compositora brasileira residente na Itália, Ágatha Lima, que venceu uma chamada pública organizada pelo projeto.

A regência da Orquestra é de Priscila Bomfim, mas como ela não pôde viajar para a turnê, a função vai ficar sob a responsabilidade de Ludhymila Bruzzi. Para a maestra, trabalhar com as meninas da OSJ Chiquinha Gonzaga tem sido uma alegria e um incrível aprendizado, que vai além da música.

“O fato da orquestra ser só de meninas, mulheres pesa muito para que a mudança seja cada vez mais rápida e presente no meio musical. Existe um senso de união e representatividade muito vivo entre elas, fazendo com que tenham a certeza que podem e devem estar ali e em qualquer outro grupo ou palco pelo mundo”.

A turnê Conexão Vaticano tem o apoio do Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé, da Embaixada do Brasil em Roma e do Instituto Guimarães Rosa, além do patrocínio da Zurich Santander, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A patrocinadora master da Orquestra é a Petrogal Brasil, Joint Venture Galp|Sinopec, que apoia o desenvolvimento do projeto ao longo do ano, também com a utilização dessa legislação.

A ida à Itália é a sexta turnê internacional da OSJ Chiquinha Gonzaga. Em 2025, com a participação de Flor Gil, a Orquestra se apresentou no Carnegie Hall, em Nova York, nos Estados Unidos, e no Festival Nos Alive, em Oeiras, Portugal. Em 2024 foi a Bordeaux, na França e, em 2023 a cidades da Suíça. No ano anterior, as Chiquinhas estiveram em Portugal e Espanha. Das 52 jovens instrumentistas, 27 participam da viagem na turnê Conexão Vaticano.

Projeto

Manter um projeto como este, de acordo com a diretora executiva, não é uma tarefa simples porque é um grande ecossistema social que inicia nos polos e se estende às ações de formação profissional. “O que nos faz seguir em frente com firmeza é o propósito”, contou.

“Sou muito feliz por acompanhar o crescimento de cada Chiquinha. Elas começam ainda tímidas, encontrando o seu som e não demora muito, a transformação acontece. As meninas vão ocupando seus espaços nos teatros, nas universidades, protagonizando histórias lindas e realizando seus sonhos e de suas famílias”, comemorou.

Segundo Moana, o impacto do projeto nas famílias e nos territórios é muito concreto. A diretora acrescentou que são visíveis as mudanças no desempenho escolar, no comportamento, na forma como as meninas se posicionam no mundo.

“Elas se tornam referência dentro de casa, inspiram irmãos, fortalecem vínculos familiares e criam novas possibilidades dentro de contextos que, muitas vezes, são marcados por limitações de acesso. A orquestra acaba sendo um vetor de mobilidade social e também de transformação simbólica que amplia horizontes”.

“No fim das contas, o que sustenta a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga é o sentido”, diz Moana.

Para comemorar os cinco anos de trajetória, a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga lançou um selo comemorativo que “representa não apenas um aniversário, mas também uma história construída com dedicação, formação artística e impacto social”.

O rigor acadêmico é uma das marcas do programa da OSJ Chiquinha Gonzaga. Somente as alunas com os melhores resultados escolares participam dos intercâmbios internacionais.

“Como reflexo direto dessa política, o Relatório de Impacto 2025 aponta um desempenho 96,6% superior em comparação à média dos estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro”, informou a diretoria da orquestra.

Além dos resultados acadêmicos, o projeto destacou ainda a profunda transformação de mentalidade das alunas. “São jovens que, em muitos casos, são as primeiras de suas famílias a ingressar na universidade e a construir projetos de vida mais ambiciosos e sustentáveis, que demonstram o poder transformador da música”.

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