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Cultura

Rio recebe exposição sobre corrida mineral no Vale do Jequitinhonha

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Catete, na zona sul do Rio de Janeiro, abre ao público a partir desta sexta-feira (3) a exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, na Galeria Mestre Vitalino. São 40 fotos da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros, obras de ceramistas do Vale do Jequitinhonha e instalações que provocam a reflexão sobre transição energética e mineração sustentável. A mostra fica em cartaz até 2 de novembro. Primeira exposição no Rio de Isis Medeiro

Fonte: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil03 de julho de 2026 às 15:333 visualizações
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O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Catete, na zona sul do Rio de Janeiro, abre ao público a partir desta sexta-feira (3) a exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, na Galeria Mestre Vitalino. São 40 fotos da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros, obras de ceramistas do Vale do Jequitinhonha e instalações que provocam a reflexão sobre transição energética e mineração sustentável. A mostra fica em cartaz até 2 de novembro.

Primeira exposição no Rio de Isis Medeiros, “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” é um projeto autoral de longa duração, fomentado pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (17ª edição).

O projeto se desdobra em fotografia documental, audiovisual, pesquisa, escuta de territórios e uma exposição itinerante. A mostra trata dos impactos humanos, ambientais e afetivos desse novo ciclo extrativista, no Vale do Jequitinhonha: o nordeste de Minas Gerais detém 85% do lítio no Brasil. 

O lítio é o mineral essencial na fabricação de baterias para carros elétricos, celulares e sistemas de armazenamento de energia.

A mostra propõe ampliar o debate público sobre o modelo de desenvolvimento baseado na extração intensiva e questiona como a promessa de uma economia verde convive, na prática, com a degradação ambiental, a pressão sobre recursos hídricos e as ameaças aos modos de vida de comunidades rurais e tradicionais.

O país ocupa atualmente o 6º lugar no ranking mundial de reservas do mineral, considerado estratégico para a transição energética global.

“Esse assunto interessa ao Brasil e ao mundo, é muito contemporâneo. O mundo está voltado para essa corrida por minerais estratégicos no Brasil e na América Latina”, disse Isis.

Segundo a fotógrafa, o título do ouro ao pó é uma reflexão que começa no período colonial com a extração do ouro e do diamante para mostrar o que mudou do passado para o presente. “Parece que tudo é novo, mas a gente vê a mesma prática de exploração, a mesma prática de uso desenfreado dos recursos que não trazem retorno social e econômico para as comunidades tradicionais que ali vivem”.  

A curadora Carol Lopes destaca que a prática fotográfica de Isis Medeiros “se constrói na criação de redes e no tempo partilhado”. “Esse gesto se materializa no encontro entre sua pesquisa, saberes cultivados pelos mais velhos e as vozes da juventude do Vale. Em suas fotografias, a paisagem se revela em camadas. À noite, o ruído das máquinas e a iluminação das mineradoras anunciam uma presença perturbadora. Durante o dia, emergem montanhas de rejeitos, crateras no solo e o pó que adoece e a proximidade entre a atividade e a vida cotidiana”, afirmou a curadora.

Para trazer a dimensão do panorama documentado na exposição, nesta sexta-feira, às 16h, ocorre a Roda de Confluências com a participação da antropóloga Ana Carolina Nascimento, Sandra Benites (Funarte), Chico (liderança comunitária de Piauí Poço Dantas, de Itinga – MG), Tatiana da Costa Sena (Instituto Federal do Norte de Minas Gerais ) e Helena Taliberti (Instituto Camila e Luiz Taliberti).

Helena Taliberti perdeu seus dois filhos devido ao rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), epicentro da tragédia, em 2019. Ambos estavam hospedados na Pousada Nova Estância, que foi engolida pelos rejeitos.

Não foram as únicas vítimas da família. Aos 30 anos, Fernanda Damian, mulher de Luiz Taliberti, também teve sua vida interrompida. Ela estava grávida de cinco meses do primeiro neto de Helena. Estava presente ainda o ex-marido de Helena, pai de Camila e Luiz. Ele acompanhava a viagem junto com sua esposa.

Para Helena, o trabalho que conecta a arte com a realidade é o que possibilita conscientizar a sociedade de uma forma em que se toca o coração das pessoas.

“As pessoas precisam saber o que aconteceu e o que está acontecendo lá. Rio de Janeiro e São Paulo vivem longe dessas realidades, que precisam ser mostradas”, disse Helena.

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