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Cultura

Filme brasileiro sobre violência doméstica será apresentado em Cannes

Fatos reais de violência contra as mulheres no Brasil inspiraram o roteiro do filme A Versão da Lei, da diretora Nina Fachinello. O longa-metragem será apresentado no próximo dia 18, no VDF Showcase do Brasil no Marché du Film, em Cannes, na França. Produzido pela ColetivA DELAS e com roteiro da própria diretora e de Mariana Queiroz, a película acompanha a trajetória da advogada Sol, negra e lésbica, que atua na Vara da Família defendendo mulheres em situação de violência. Notícias relacionadas:

Fonte: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil13 de maio de 2026 às 15:033 visualizações
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Filme brasileiro sobre violência doméstica será apresentado em Cannes
Foto: Agência Brasil
Fatos reais de violência contra as mulheres no Brasil inspiraram o roteiro do filme A Versão da Lei, da diretora Nina Fachinello. O longa-metragem será apresentado no próximo dia 18, no VDF Showcase do Brasil no Marché du Film, em Cannes, na França.

Produzido pela ColetivA DELAS e com roteiro da própria diretora e de Mariana Queiroz, a película acompanha a trajetória da advogada Sol, negra e lésbica, que atua na Vara da Família defendendo mulheres em situação de violência.

“Vários casos que Sol vai atendendo ao longo do filme são inspirados em fatos, em notícias reais chocantes que, inclusive, se repetem”, disse Nina Fachinello à Agência Brasil

De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou novo recorde de feminicídios em 2025, marcando o maior número da série histórica iniciada em 2015. Foram 1.568 mulheres mortas no ano passado, aumento de 4,7% em relação a 2024. 

“É um horror! A gente precisa falar sobre isso com urgência. É uma epidemia”, comentou a diretora. Para ela, o filme representa a luta pelos direitos das mulheres.

Violência e abuso

O longa fala de violência doméstica mas, em vez de iniciar contando o fato do ponto de vista da vítima, a decisão foi focar primeiro em quem cuida. A proposta é mostrar as dificuldades de conciliar o cuidado com o enfrentamento do sistema judiciário brasileiro.  

Segundo Nina Fachinello, os casos defendidos pela advogada acabam impactando a sua vida pessoal. A diretora se baseou também em situações de abuso que vivenciou em alguns relacionamentos, além da questão do seu litígio, “que foi muito conflitante”. 

Ao participar de um grupo com cerca de 40 mães solo, ela ouviu diariamente relatos de mulheres que também passaram por situações de violência psicológica vivenciadas dentro da relação com o pai biológico de seus filhos.

A produção do filme contou com consultoria da juíza de Direito Camila Rocha Guerin, especialista em Gênero e Direito, cuja atuação contribuiu diretamente para o desenvolvimento do roteiro e das personagens. 

“A gente teve consultoria também com uma advogada para falar sobre essas cenas e o respaldo legal que as personagens têm dentro da trama, para ficar o mais parecido possível com a vida real”, disse Nina.

Distribuição

O longa-metragem A Versão da Lei está em fase de finalização neste mês de maio. A ideia de Nina Fachinello é lançá-lo comercialmente em 2027, depois da estreia no Festival de Cinema de Veneza, em setembro. 

Nina destaca que o principal objetivo do filme é informar as mulheres sobre seus direitos. 

“Para elas saírem do cinema tocadas pela arte, mas também transformadas. Que isso contribua para alguma transformação na vida delas. Se uma mulher assistir a esse filme e conseguir se libertar de um relacionamento tóxico, que pode culminar na morte dela, a gente já fica absurdamente feliz”.

Elenco

A atriz Tati Vilella, que interpreta a advogada Sol, foi vencedora do Troféu Redentor na Première Brasil 2021 e Melhor Atriz no Brazil New Vision International Film Festival 2026. 

Karen Julia interpreta Camila, uma das vítimas de feminicídio. 

Integram o elenco ainda Vitória Rodrigues e Aliny Ulbricht, além das participações de Mariana Xavier, indicada ao Emmy Internacional 2025, Cacau Protásio, Digão Ribeiro e o ator português Pedro Carvalho.

O filme tem financiamento da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). 

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