Portal Espaço Notícias
ÚLTIMAS21 de agosto de 2026
Cantora portuguesa Carminho reforça amor pelo Brasil em turnêLula liga para Trump e diz que alegações para tarifaço são infundadasPassagem de frente fria pelo estado de SP pode causar temporaisArtistas de diferentes gerações interpretam clássicos de Chico BuarqueGoverno Espriella encerra jornalismo da mídia pública da ColômbiaEmpresas com 100 ou mais empregados devem atualizar dados até dia 31Petrobras negocia exploração em Gana para ampliar presença na ÁfricaDefesa conclui exercício militar com participação de mais cinco paísesDesigualdades marcam formalização do trabalho entre jovens brasileirosPaís terá Dia D de Multivacinação neste sábadoMeteorologia emite alerta de ventos de até 100 km/h no RioConfira a agenda dos candidatos à Presidência nesta sexta-feiraSaiba como proteger pesca e aquicultura de efeitos do El NiñoFrio avança sobre centro-sul do país com mínimas abaixo de 10ºCSeguranças de rua são presos por agredir ciclista até a morte no RioBeneficiários com NIS de final 4 recebem Bolsa Família de agostoFungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climáticaProvas do Encceja 2026 serão aplicadas no domingo em todo o paísJustiça autoriza cremação de vítimas de queda de helicóptero no RioHomem é condenado a 24 anos de prisão por morte de mulher transCantora portuguesa Carminho reforça amor pelo Brasil em turnêLula liga para Trump e diz que alegações para tarifaço são infundadasPassagem de frente fria pelo estado de SP pode causar temporaisArtistas de diferentes gerações interpretam clássicos de Chico BuarqueGoverno Espriella encerra jornalismo da mídia pública da ColômbiaEmpresas com 100 ou mais empregados devem atualizar dados até dia 31Petrobras negocia exploração em Gana para ampliar presença na ÁfricaDefesa conclui exercício militar com participação de mais cinco paísesDesigualdades marcam formalização do trabalho entre jovens brasileirosPaís terá Dia D de Multivacinação neste sábadoMeteorologia emite alerta de ventos de até 100 km/h no RioConfira a agenda dos candidatos à Presidência nesta sexta-feiraSaiba como proteger pesca e aquicultura de efeitos do El NiñoFrio avança sobre centro-sul do país com mínimas abaixo de 10ºCSeguranças de rua são presos por agredir ciclista até a morte no RioBeneficiários com NIS de final 4 recebem Bolsa Família de agostoFungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climáticaProvas do Encceja 2026 serão aplicadas no domingo em todo o paísJustiça autoriza cremação de vítimas de queda de helicóptero no RioHomem é condenado a 24 anos de prisão por morte de mulher trans
Meio Ambiente

Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática

Invisíveis a olho nu e espalhados em um sistema subterrâneo complexo, fungos são a aposta de um grupo de cientistas para restaurar terras degradadas, combater a desertificação e a crise climática. A possibilidade foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren, que lançaram o resultado de estudos recentes, durante encontro na Embaixada da França em Ulaanbaatar, Mongólia, no contexto da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17). Notícias rela

Fonte: Rafael Cardoso* - Enviado Especial21 de agosto de 2026 às 10:382 visualizações
Compartilhar:WhatsAppFacebookX
Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática
Foto: Agência Brasil
Invisíveis a olho nu e espalhados em um sistema subterrâneo complexo, fungos são a aposta de um grupo de cientistas para restaurar terras degradadas, combater a desertificação e a crise climática.

A possibilidade foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren, que lançaram o resultado de estudos recentes, durante encontro na Embaixada da França em Ulaanbaatar, Mongólia, no contexto da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17).

Conhecidos como fungos micorrízicos, por estabelecerem simbiose com raízes das plantas, esses organismos formam extensas redes no solo. Enquanto recebem carbono produzido pelas plantas durante a fotossíntese, ajudam-nas a obter água e nutrientes como fósforo e nitrogênio.
 

Brasília (DF), 21/08/2026 - Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática
Foto: Tomas Munita/SPUN
Pesquisadoras usam fungos para recuperar solo e conter crise climática. Foto: Tomas Munita/SPUN

As redes também contribuem para agregar as partículas do solo, reduzir a erosão e aumentar a resistência das plantas à seca e a outros estresses ambientais.

A estratégia testada durante os estudos na Mongólia é simples: pequenas áreas de pastagem são cercadas para impedir temporariamente a entrada de animais e a ação humana.

Essas áreas protegidas podem funcionar como refúgios de biodiversidade subterrânea e, no futuro, como fontes de fungos locais para projetos de restauração de terras degradadas, explicou a bióloga evolucionista Toby Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN).

“É como um banco de sementes, mas de fungos. Eles criam uma infraestrutura viva subterrânea que mantêm o solo unido. São como um sistema circulatório que conecta a vida acima e abaixo do solo.”

Um solo mais estável e com uma comunidade microbiana saudável oferece melhores condições para o retorno das plantas, que, por sua vez, alimentam novamente os fungos com carbono.

“É um ciclo. Você perde a diversidade de fungos, perde o carbono que está entrando no solo e perde parte da capacidade de manter o solo unido. Isso dificulta o crescimento das plantas e pode alimentar ainda mais a degradação”, disse Toby Kiers.

Pastagens em recuperação

A estratégia ainda está em fase experimental, com a liderança da pesquisadora local Burenjargal Otgonsuren. Ecóloga especializada em micorrizas (associação entre fungos e raízes das plantas), ela cresceu em uma região rural da província de Uvurkhangai e passou parte da infância acompanhando os avós, que eram pastores.

A experiência também influenciou sua escolha profissional. Ela contou que o avô conhecia as plantas das pastagens e sabia identificar aquelas associadas à qualidade do campo ou utilizadas para fins medicinais. “Tornei-me uma ecóloga que pode ajudar a tratar o planeta.”

A especialista instalou seis áreas cercadas em regiões de estepe e deserto para interromper temporariamente a pressão do pastoreio. Os primeiros resultados, obtidos em 2025, são promissores: a vegetação dentro das áreas protegidas já apresentava maior altura do que as plantas encontradas fora das cercas.

A pesquisadora pretende acompanhar os experimentos por pelo menos três anos. Entre as possibilidades futuras está a criação de corredores ou áreas de refúgio mais amplas para conservar os fungos.

Segundo Burenjargal Otgonsuren, pesquisas indicam que até 91% das pastagens degradadas da Mongólia poderiam ser recuperadas em algum grau. Para isso, porém, não basta replantar a vegetação.

“Para recuperar a pastagem, a questão mais importante é ter um solo saudável. E, quando falamos de solo saudável, precisamos também proteger a biodiversidade que vive dentro dele.”

Biodiversidade ainda desconhecida

A dimensão da biodiversidade encontrada nas estepes mongóis surpreendeu as pesquisadoras. Nas amostras coletadas, cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas pertenciam a espécies ainda desconhecidas pela ciência.

Brasília (DF), 21/08/2026 - Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática
Foto: Tomas Munita/SPUN
Fungos em microscópio. Foto: Tomas Munita/SPUN

Foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas aos fungos micorrízicos apenas na região do Gobi. Parte desses organismos parece ser altamente adaptada às condições locais e pode não ocorrer em outras regiões do planeta.

Isso torna a conservação dos fungos locais particularmente importante. A ideia não é simplesmente transportar fungos de outras regiões para áreas degradadas. “Precisamos proteger essas espécies endêmicas e reproduzi-las nós mesmos para depois utilizá-las”, afirmou Otgonsuren.

Nova agenda de conservação

Para Toby Kiers, a descoberta reforça a necessidade de mudar a forma como políticas ambientais tratam a biodiversidade. Em geral, esforços de conservação se concentram em plantas e animais visíveis, enquanto os organismos subterrâneos permanecem fora das áreas prioritárias.

“Precisamos superar esse viés em favor do que está acima do solo e começar a proteger aquilo que não conseguimos ver.”

Segundo a pesquisadora, cerca de 90% dos hotspots de biodiversidade microbiana identificados pela SPUN estão fora de áreas protegidas. Ela defendeu que fungos passem a ser incorporados às políticas de combate à desertificação e aos instrumentos de monitoramento da degradação da terra.

A organização já trabalha com pesquisadores e comunidades locais em diferentes partes do mundo para mapear essas redes subterrâneas. A proposta é que o conhecimento produzido localmente seja incorporado a um atlas global e também às políticas públicas.

“Estamos convidando as pessoas a integrar os fungos às políticas”, ressaltou. “Eles são componentes vitais de como monitoramos e combatemos a desertificação”, completou.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

Mais em Meio Ambiente