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Rede elétrica mais resiliente requer investimento de concessionárias

Tornar a rede elétrica mais resiliente a fortes ventos como os que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro nessa quarta-feira (29) é possível, mas tem um custo bastante elevado e que precisa ser arcado pelas concessionárias de energia. A avaliação é do professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).  Fiação subterrânea e poda das árvores na época certa est

Fonte: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil30 de julho de 2026 às 21:013 visualizações
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Rede elétrica mais resiliente requer investimento de concessionárias
Foto: Agência Brasil
Tornar a rede elétrica mais resiliente a fortes ventos como os que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro nessa quarta-feira (29) é possível, mas tem um custo bastante elevado e que precisa ser arcado pelas concessionárias de energia. A avaliação é do professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). 

Fiação subterrânea e poda das árvores na época certa estão entre as medidas necessárias para que o fornecimento de energia seja menos vulnerável

“Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco”, aponta o professor da Coppe/UFRJ.

Watanabe mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, e continuava sem energia até a tarde desta quinta-feira (30). Em sua rua, a rede elétrica é aérea, sustentada por postes, o que a deixa mais vulnerável a quedas de árvores e intempéries. Quem tem instalações subterrâneas, como os bairros mais nobres do Rio e o centro da cidade, enfrenta menos contratempos, avalia.

“Quem recebe (energia) por linha aérea tem mais problemas”, resume ele, que acrescenta que, além de os custos de instalação serem maiores para a fiação subterrânea, também é mais custosa a manutenção. 

O professor do programa de pós-graduação em engenharia elétrica estima que o custo de cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, com a vantagem de ter maior qualidade. E a responsabilidade por esses custos é das concessionárias de energia, afirma ele.

"Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior”.

Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (30). Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Planos de contingência

Na avaliação de Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, o risco de falta de energia, por si só, não é motivo para substituir toda a rede aérea por subterrânea. 

“É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz”.

Torres destaca que fazer uma estrutura subterrânea requer um investimento elevado que pode ser, inclusive, economicamente inviável. Além disso, ele avalia que os cabos subterrâneos, apesar de terem proteção contra o vento, constituem problema no caso de inundações e furtos.

Segundo Leandro Torres, o que ocorreu ontem no Rio foi um evento de emergência, para o qual as instituições precisam estar preparadas com planos de contingência, que evidenciem tudo que possa afetar suas operações e serviços de alguma maneira.

“Ou seja, fazer uma listagem dessas ameaças. Isso abrange eventos de diferentes naturezas, como vendaval, inundação, ataque cibernético, que podem afetar a operação de uma organização qualquer".

Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (30).  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde desta quarta-feira (30). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O segundo passo desse plano de contingência é entender quais são as eventuais causas que poderiam dar origem a essas ameaças. Ou seja, os pontos fracos na operação, que poderiam ser uma brecha para que esses problemas ocorram. Uma análise de risco prioriza os pontos que demandam mais atenção.

Em seguida, o que se busca são medidas que possam evitar, dentro do possível, essas falhas, ou reduzir muito a probabilidade de elas acontecerem.

Torres deixou claro que instituições de diferentes naturezas, desde uma escola até empresas de telecomunicações e concessionárias de energia elétrica, precisam se organizar para fazer frente a esse tipo de cenário climático.

Para ele, as concessionárias de energia elétrica devem direcionar atenção e esforços para um possível aumento drástico de eventos relacionados ao clima, principalmente este ano, com a previsão de um El Niño especialmente forte.

“Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação até um metro ou dois metros de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?”.

Leandro Torres insistiu que a empresa não pode esperar que aconteça um evento negativo para agir, e isso demanda recursos previamente alocados e pessoal treinado para os procedimentos emergenciais. Depende de uma estrutura de planejamento de comunicação interno e externo com clientes, inclusive para a preservação dos serviços que eles estão recebendo.

Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (30). Árvore caí em frente ao Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, destruindo portão e fiação Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde desta quarta-feira (30). Árvore caí em frente ao Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, destruindo portão e fiação Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sem previsão de retorno

A empresária Ana Paula Brito mora em Vila Isabel, Zona Norte da capital fluminense, e, desde ontem, às 17h, está sem luz em seu imóvel. Ela afirma que já abriu vários protocolos na Light e a resposta é que os técnicos estão trabalhando no local e não há previsão de quando a luz voltará.

“Estamos preocupados, porque a geladeira já está descongelando, os alimentos estão vencendo [a validade] e não tem nenhuma previsão. É um transtorno muito grande ficar sem energia”.

>> Saiba como pedir ressarcimento por prejuízos com a falta de energia

Rico Vilarouca é designer e trabalha em casa, bem como sua esposa. Moradores de Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, ele espera até agora o retorno da energia elétrica e da internet residencial, situação que se repete quando chove forte e venta no bairro.

Os ventos fortes que assolaram o estado nessa quarta-feira deixaram uma coisa bem clara para a família de Rico Vilarouca: “A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade”, lamentou.

A Light e a Enel, concessionárias que atuam no Rio de Janeiro, na região metropolitana e no interior do estado, têm divulgado desde o vendaval que estão com equipes mobilizadas para normalizar o fornecimento de energia. Apesar disso, milhares de residências e estabelecimentos de diversos tipos continuavam sem energia nesta quinta-feira.

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