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"Times Square de São Paulo" pode começar a funcionar até setembro

O projeto que prevê a instalação de quatro painéis de LED na esquina entre as avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, deve começar a funcionar entre o final de agosto e o início de setembro.  Aprovado há pouco mais de um mês pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana do município, o Boulevard São João foi oficializado nesta quinta-feira (23) pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e pelo grupo empresarial Fábrica de Bares, resp

Fonte: Elaine Patrícia Cruz - repórter da Agência Brasil23 de abril de 2026 às 21:016 visualizações
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"Times Square de São Paulo" pode começar a funcionar até setembro
Foto: Agência Brasil
O projeto que prevê a instalação de quatro painéis de LED na esquina entre as avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, deve começar a funcionar entre o final de agosto e o início de setembro. 

Aprovado há pouco mais de um mês pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana do município, o Boulevard São João foi oficializado nesta quinta-feira (23) pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e pelo grupo empresarial Fábrica de Bares, responsável por bares na região central de São Paulo.

Apelidada de "Times Square Paulistana", a iniciativa instalará 2 mil metros quadrados de telas na esquina que ficou eternizada na canção Sampa, de Caetano Veloso. No local, fica o Bar Brahma, um dos que é administrado pelo grupo Fábrica de Bares.

Programação cultural

Os painéis serão instalados nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. Também haverá projeção mapeada no Edifício Independência 2, onde está o Bar Brahma.

Os telões vão funcionar diariamente, entre as 05h e 23h. Aos finais de semana, entre as 18h de sábado e as 23h de domingo, a proposta é que a região seja fechada para carros e conte com uma programação cultural. Estão previstos quatro palcos para apresentações musicais e espaços para gastronomia e artesanato.

Além dessa programação cultural aos finais de semana, o projeto também prevê a realização de grandes eventos a cada mês, com temas baseados no calendário da cidade, tais como a Virada Cultural, em maio, o aniversário de São Paulo, em janeiro, e uma programação especial para a celebração do Natal.

Investimento privado

O acordo firmado entre a prefeitura, o governo paulista e o grupo Fábrica de Bares prevê um investimento de cerca de R$ 6 milhões, em recursos privados. O projeto prevê a qualificação do trecho entre o Largo do Paissandú e o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga.

O trabalho incluirá restauração de monumentos, requalificação de calçadas e instalação de mobiliário urbano. Como contrapartida, está prevista a veiculação de marcas dos patrocinadores nesses painéis digitais.

Cerca de 70% do conteúdo que será exibido nesses telões será dedicado a artes digitais e eventos culturais. O restante, diz o Fábrica de Bares, será destinado para conteúdo patrocinado. Não serão veiculados conteúdos adultos ou relacionados a bets. Também será proibida a veiculação de mídia publicitária convencional.

Revitalização

Segundo o governador de São Paulo, o Boulevard São João é apenas umas das várias iniciativas que estão sendo pensadas para revitalizar o centro paulistano.

“Agora, a gente está resgatando [o centro da cidade], devolvendo a cidade para as pessoas”, disse Tarcísio de Freitas. “A gente não está falando de projetos grandiosos: estamos falando do somatório de vários pequenos projetos que vão trazer as pessoas de volta [para o centro]”.

O governador citou também a retirada das famílias da Favela do Moinho, para que ali seja construído um novo parque, e o projeto de instalação da nova sede administrativa do governo de São Paulo, que sairia do atual Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para a região da Luz.

Para o prefeito, a Times Square de São Paulo pode atrair ainda mais turistas para a cidade. “Nós tivemos, no ano passado, 47 milhões de turistas na cidade de São Paulo, sendo que 2,5 milhões eram turistas estrangeiros. Então, é muito importante que a gente possa ter locais atrativos na cidade”, afirmou Ricardo Nunes, em entrevista coletiva para a oficialização do projeto.

“Teremos ali um ambiente bacana e seguro, porque vai estar ali a mão do Estado, com a Polícia Militar, com a Polícia Civil e a Polícia Municipal”, acrescentou.

Segundo o governo do estado, a segurança na região será reforçada com a inclusão de mais de 300 policiais.

Críticas

O projeto do Boulevard São João é inspirado na Times Square de Nova York, um ponto turístico situado no cruzamento da Broadway com a 7ª Avenida, em Manhattan. A Times Square estadunidense é muito conhecida não só por seus telões de LED mas também por concentrar muitos teatros e lojas.

A proposta do Boulevard São João, no entanto, enfrenta algumas críticas, principalmente por causa da Lei Cidade Limpa, que foi estabelecida há quase 20 anos na capital paulista para combater a poluição visual. Essa lei regula anúncios e publicidade na cidade, limitando o tamanho de placas em fachadas comerciais e proibindo a instalação de outdoors.

Para que o novo projeto pudesse ser viabilizado em São Paulo, foi preciso recorrer a um instrumento previsto dentro da Lei Cidade Limpa, que prevê exceções à proibição de publicidade externa mediante contrapartidas ao município.

Por isso, foram realizadas audiências públicas para discutir o tema e também foi assinado um termo de cooperação entre a gestão municipal e o grupo Fábrica de Bares, para autorizar o início dessas intervenções na Avenida São João.

Um dos críticos desse projeto é o vereador e urbanista Nabil Bonduki. Em suas redes sociais, ele escreveu, há cerca de um mês, que o projeto poderia gerar um precedente para que iniciativas semelhantes pudessem surgir em outros pontos da cidade.

“Aos poucos, corremos o risco de ver São Paulo voltar ao cenário anterior à Lei Cidade Limpa”, escreveu.

“É preciso esclarecer como será feita a fiscalização do conteúdo dos painéis. O que impedirá, por exemplo, a veiculação de propagandas de apostas? Além disso, quais serão as garantias de proteção aos edifícios do entorno e aos moradores expostos à intensa luminosidade?”, questionou.

Para o vereador, apesar das audiências públicas, faltou mais debate sobre o tema.

“Sou favorável a discutir uma atualização da Lei Cidade Limpa. Afinal, quase duas décadas se passaram e algumas exceções podem ser avaliadas, mas isso precisa acontecer com debate público”, ressaltou.

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