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Direitos Humanos

Trabalhadores planejam mais tempo com a família com fim da 6x1

Passar um dia na praia com as filhas de 12 e 7 anos é a intenção da atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, quando tiver mais um dia de descanso. Trabalhando de segunda a sábado, no centro da cidade do Rio de Janeiro, ela abre um sorriso quando comenta a aprovação do fim da jornada 6x1, pela Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (27). Os deputados deram o aval à proposta, que ainda precisa passar pelo Senado antes de começar a valer. Notícias relacionadas: Saiba

Fonte: Isabela Vieira e Odair Braz Júnior - repórteres da Agência Brasil29 de maio de 2026 às 10:486 visualizações
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Trabalhadores planejam mais tempo com a família com fim da 6x1
Foto: Agência Brasil
Passar um dia na praia com as filhas de 12 e 7 anos é a intenção da atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, quando tiver mais um dia de descanso.

Trabalhando de segunda a sábado, no centro da cidade do Rio de Janeiro, ela abre um sorriso quando comenta a aprovação do fim da jornada 6x1, pela Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (27). Os deputados deram o aval à proposta, que ainda precisa passar pelo Senado antes de começar a valer.

>> Entenda a PEC que acaba com escala 6x1: mais tempo livre e mesmo salário

"É minha mãe que dá café da manhã [para as filhas], que leva para a escola, que busca, porque eu não tenho tempo", conta a atendente, de 28 anos.

Rio de Janeiro (RJ), 28/05/2026 – Trabalhadores comentam aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de trabalho 6x1. Geisiane Roberta da Rocha, atendente de lanchonete, quer passar mais tempo com as filhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Gessiane Roberto Vianna, atendente de lanchonete, exibe foto das filhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Além das 44 horas semanais, a jornada diária inclui ainda duas horas de transporte para ir e voltar da lanchonete, o que a afasta ainda mais da rotina familiar.

“As meninas me cobram, me pedem para ir à praia, para sair com elas, ir a qualquer canto, mas eu nunca consigo”, lamentou.

O trâmite para acabar com a escala 6x1 ainda depende do Congresso Nacional, mas os trabalhadores que passarão a ter dois dias de descanso remunerado na semana já fazem planos. Respirar o ar puro da Floresta da Tijuca ao lado do filho de 13 anos é o desejo do balconista Emerson Santos, de 43 anos.

“Meu filho pede para irmos juntos. Esse é o nosso momento de lazer: subir a montanha, pegar uma cachoeira. Mas é raro”, relatou.

Emerson, que atende em uma farmácia na zona sul do Rio, pretende aumentar a frequência dos passeios com as duas folgas, descanso que outras categorias já têm, lembra. 

>> Saiba como votaram os deputados na PEC que acaba com a escala 6x1

Rio de Janeiro (RJ), 28/05/2026 – Trabalhadores comentam aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de trabalho 6x1. Emerson Santos pretende passar mais tempo com seu filho, Igor Gabriel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Emerson Santos pretende passar mais tempo com seu filho, Igor Gabriel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Família reunida

Filhos também querem ficar mais tempo com os pais. Gerente de uma loja de calçados e bolsas no centro do Rio, Victor Pacheco, de 23 anos, que trabalha de segunda a sábado, conta que está mais aliviado pela mãe, de 50 anos, que trabalha 6x1 em uma fábrica de biscoitos.

“Ela mora em Duque de Caxias e sai de casa às 9h da manhã para chegar duas horas depois em Madureira. Quando volta, correndo o risco de perder o último ônibus, é quase meia-noite”, revelou. “É uma correria enorme”.

Rio de Janeiro (RJ), 28/05/2026 – Trabalhadores comentam aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de trabalho 6x1. Victor Pacheco, que trabalha em loja, pretende conviver mais com a mãe, que trabalha numa fábrica de alimentos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Victor Pacheco, que trabalha em loja, mostra foto da mãe no celular. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Quando a folga dos dois coincide, aos domingos, eles fazem um esforço para se verem.

“Sábado, a gente trabalha. No domingo, quando a minha folga e a dela batem, a gente, de vez em quando, se organiza para se ver. Tem que ser bem planejado”, contou.

Correndo contra o tempo também está Juliana de Mello*, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvete, de segunda a sábado. Com um bebê de 1 ano e 10 meses, ela anseia por mais tempo para a rotina básica da criança.

"Ela quase ligou para a dona da loja, hoje, para saber como iria funcionar a nova escala", brincou uma colega de trabalho. 

"Quero levar ao pediatra, levar para vacinar, coisas simples, ver crescer", relatou Juliana à Agência Brasil. "A nossa expectativa é de que comece logo", completou a jovem mãe. 

Com mais tempo, há quem também planeje se dedicar aos estudos. É o caso da atendente de banca de jornal Stephanie Gonzaga, de 34 anos.

"Se tiver mais uma folga, eu posso focar no meu curso [técnico] de enfermagem", disse. "Para estudar, tem que ter tempo e cabeça, né? Se você está muito cansada acaba abdicando de algo", explicou.

Rio de Janeiro (RJ), 28/05/2026 – Trabalhadores comentam aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de trabalho 6x1. Sthepanie Gonzaga, pretende usar tempo de folga para estudos no curso de enfermagem. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Stephanie Gonzaga, pretende usar tempo de folga para estudos no curso de enfermagem. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Escala sacrificante

Em São Paulo, trabalhadores que conversaram com a Agência Brasil também comemoram o fim da 6x1 e destacaram a intenção de passar mais tempo com suas famílias, como Flávio Antunes, funcionário de uma papelaria na zona sul de São Paulo. 

“Eu, particularmente, queria muito o fim da 6x1. Quero ter mais tempo para meu filho e minha esposa”, revelou. 

A vigilante Celma Araújo, que trabalha na zona oeste da capital paulista, soube do resultado da votação no Congresso e também celebrou. Celma relatou que a mudança não deve afetá-la diretamente, mas que será boa para seu marido e filho.

“Eles trabalham na 6x1 e reclamam muito. Não podem ficar com a família, não podem ir a um evento, nada”.

Rio de Janeiro (RJ), 28/05/2026 – Trabalhadores em ponto de ônibus no Largo da Carioca após aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de trabalho 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Trabalhadores em ponto de ônibus no Largo da Carioca após aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC que acaba com escala de trabalho 6x1. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O porteiro Everton França trabalha na zona norte de São Paulo. Ele é metalúrgico de formação, mas abandonou a profissão por considerar a escala 6x1 sacrificante.

“Achei bom o fim da escala [6x1], porque vai abrir novas oportunidades. O pessoal que saiu dos empregos antigos devido à escala mais forte, vai poder voltar”, acredita.

França se enquadra nessa categoria de pessoas: “Eu sou metalúrgico e saí porque a escala era muito puxada. Agora, com a 5x2, já estou pensando em ser metalúrgico de novo”.

*Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada.

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